domingo, 4 de maio de 2008

José Saramago morou na minha rua

Foi no início dos anos 70 que me habituei a ver a figura de José Saramago no café do bairro, junto ao elevador da Bica, ou descendo a minha rua, sempre com a postura erecta que o caracteriza, a caminho da casa onde morava Isabel da Nóbrega. Os dois viviam então os primeiros tempos de uma relação que, conforme Saramago relata na sua autobiografia, duraria até 1986.

Colaboração de Vítor Soares

Irene Pimentel

Será esta a mesma Irene que eu conheci, antes do 25 de Abril, deixando deslizar seu sorriso suave pelos quatro pisos da Livraria Opinião? E o Madeira Luís? E o Hipólito? Que será feito deles? O Pedro Bandeira Freire, já sabemos, não resistiu à agonia do seu Quarteto.

O PS agradece!...

É preciso é que haja muitas disputas internas e muitas notícias para a comunicação social. Enquanto se for discutindo o PSD, não se fala do PS.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Para evocar o Maio de 68


Ao invés de continuar a rebuscar as memórias vindas de França, a minha proposta vai para a leitura deste livro, acabado de sair. Partindo do caso de Coimbra, o autor analisa a dissidência política e cultural que atravessa as universidades portuguesas entre 1956 e 1974.

"Os campi universitários foram os laboratórios privilegiados para a experimentação destas novas atitudes conflituantes, que viriam a ter o seu auge simbólico no ano de 1968, em grande medida devido à contestação mediática que deflagrou em Paris durante os meses de Maio e Junho. Apesar da magnitude do impacto, os acontecimentos de «Maio de 68» não foram, porém, mais do que um abalo de superior visibilidade num território em permanente ebulição" (pág. 11).

No livro «A tradição da contestação» recusa-se o lugar comum de considerar as "crises académicas como o momento nuclear do activismo estudantil" e procura-se ir mais longe rejeitando um "tipo de história episódica" que "não facilita o entendimento do processo profundo de dissidência política, social e cultural que por estes anos atravessa o território estudantil" (pág. 203).

Miguel Cardina, que actualmente desenvolve uma tese de doutoramento sobre o desenvolvimento da esquerda radical durante o Estado Novo, lembra aqui que o radicalismo daqueles anos fez germinar uma esquerda heterodoxa que recusava a "disciplina do político" e para quem "A cólera e a festa, o colectivo e o individual, a política e a cultura, eram dois lados da mesma moeda. Em certa medida, a esquerda radical pós-moderna inscreve-se na linha de continuidade deste filão".

Colaboração de Vítor Soares

sexta-feira, 25 de abril de 2008

"Património", de Philip Roth


Tal como o anterior, este é um livro que decorre de uma experiência vivida na 1ª pessoa. E, no entanto, que diferença!...

Philip Roth nem sequer precisou de transmutar os acontecimentos verídicos em personagens fictícias para inundar o texto com uma tal densidade e uma textura ímpar capaz de suscitar o total deslumbramento perante a escrita.

A estrutura narrativa é poderosa e o rigor descritivo prende de tal forma que faz desfilar os episódios na imaginação do leitor, qual caleidoscópio arrebatador de que dificilmente nos conseguimos desviar.

Este “Património” não é apenas uma história verdadeira, à semelhança do que acontece com “O Último Ano em Luanda”. É muito mais do que isso. É uma alegoria à criação, a partir de factos reais, feita pela pena de alguém que mantém o pleno da sensibilidade numa personalidade adulta completamente formada, o que lhe permitiu interiorizar toda a memória emocional da luta do pai contra a morte e, posteriormente, reverter para o papel os mais recônditos desígnios da alma humana.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

“O Último Ano em Luanda”, de Tiago Rebelo


Quem, induzido pelo título, vá a pensar ler uma recriação do ambiente vivido em Angola, nos anos de 1974-75, pode passar à frente das primeiras 150 páginas das 470 que tem este livro.

De resto, na parte inicial, o enquadramento que é feito na caracterização dos dois principais personagens revela pouca consistência, pelo que a leitura se torna deveras entediante.

Também não deixam de suscitar alguma dificuldade na adesão à obra imprecisões detectadas no uso da terminologia militar: NT era uma sigla usada para o plural “nossas tropas” e não para o singular “nossa tropa”, conforme é referido na página 106; ou um pelotão não tem mais de 25-30 homens e não cinquenta como se diz a páginas 176. Estas perplexidades são tanto mais evidentes para quem conheceu, por dentro, o “esforço de guerra”, facto a que o autor só pode aludir através das suas fontes visto que, conforme reconhece no final do livro, tinha apenas 11 anos em 1975.

No cenário de “acontecimentos verídicos” que o autor reivindica há um que ele próprio testemunhou quando, na noite de 14 de Julho de 1975, embarcou rumo a Lisboa e que, no livro, é descrito através da personagem de Regina para quem foram transmutados os episódios que rodearam a partida do avião em Luanda. É um bom tipo de recurso que, todavia, soa a excasso no conjunto da obra.

Na parte final do livro o enredo torna-se mais empolgante mas, ainda assim, ressente-se de uma escrita que, embora esforçada, é pouco luminosa nas imagens e a que falta a riqueza vocabular que permitiria transformar esta história numa genuína odisseia.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Cumprimentos cruzados

Rui Pedro Silva, convidado do programa "Minuto a Minuto", no âmbito da promoção do seu livro sobre o grupo The Doors: “Quero dar os parabéns ao Rádio Clube Português por passar muito boa música”. Para uma rádio que se diz de palavra não está mal… ahahah!