
Tal como o anterior, este é um livro que decorre de uma experiência vivida na 1ª pessoa. E, no entanto, que diferença!...
Philip Roth nem sequer precisou de transmutar os acontecimentos verídicos em personagens fictícias para inundar o texto com uma tal densidade e uma textura ímpar capaz de suscitar o total deslumbramento perante a escrita.
A estrutura narrativa é poderosa e o rigor descritivo prende de tal forma que faz desfilar os episódios na imaginação do leitor, qual caleidoscópio arrebatador de que dificilmente nos conseguimos desviar.
Este “Património” não é apenas uma história verdadeira, à semelhança do que acontece com “O Último Ano em Luanda”. É muito mais do que isso. É uma alegoria à criação, a partir de factos reais, feita pela pena de alguém que mantém o pleno da sensibilidade numa personalidade adulta completamente formada, o que lhe permitiu interiorizar toda a memória emocional da luta do pai contra a morte e, posteriormente, reverter para o papel os mais recônditos desígnios da alma humana.