segunda-feira, 16 de junho de 2008

Assino por baixo

"A rádio foi progressivamente sendo morta por programas que queriam ter graça mas não tinham nenhuma, por notícias ansiosas, por gravações de declarações a favor e contra repetidas vezes sem fim, a propósito de tudo e de nada." - Manuel Falcão in Saudades da rádio.

sábado, 31 de maio de 2008

A pensar no "day-after"?

O Público interroga-se aqui se Manuela Ferreira Leite, ao interromper a campanha eleitoral para ir conhecer o neto, protagonizou «um genial golpe de marketing que "humanizou" a candidata e fará a diferença nas directas que vão eleger o novo presidente do PSD». No meu entender, a estratégia da candidatura de MFL visou algo menos imediato. Na perspectiva de uma vitória assegurada dentro do partido, a "humanização" da candidata visa já o confronto com Sócrates para as legislativas do próximo ano.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Conservador-Liberal-Socialista

A propósito do texto "Liberais-Conservadores" de Pedro Lomba, no DN, atrevo-me a acrescentar um terceiro ramo à genealogia política. Por que não poder defender, simultaneamente, ideias socialistas, liberais e conservadoras, consoante estejam em discussão, por exemplo, questões sociais, aspectos morais ou opções económicas? Quem quiser saber mais pode ir aqui.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

A cor do poder

Já lá vai uma semana e a comunicação social, sempre tão lesta a dar conta das questiúnculas no seio do PSD, não voltou a tocar no assunto. Porque será que as´"guerras" entre sociais-democratas parecem ter sempre mais valor noticioso do que as contradições entre socialistas, mesmo que estas envolvam sacos azuis e alegados financiamentos partidários? Será tudo uma questão da cor do poder (noticioso)?

domingo, 11 de maio de 2008

Mestres e discípulos


Logo na Introdução, George Steiner dá o mote a uma das questões centrais do livro deixando entender que a ignorância pode conduzir a juízos categóricos. Pelo contrário, a aprendizagem só gera incertezas: "Após meio século de actividade docente em numerosos países e sistemas de ensino superior, apercebi-me da minha crescente incerteza quanto à legitimidade e às verdades fundamentais desta «profissão»." (pág. 11).

E, no entanto, este é um verdadeiro tratado de erudição que percorre, ao longo de mais de dois milénios, as lições dos Mestres em disciplinas que vão da filosofia, à literatura e à música. Ainda assim, no final, consciente das suas limitações, Steiner reconhece que "«Cobrir» todo este campo seria uma ambição absurda. As línguas necessárias, o conhecimento etnográfico, antropológico, histórico e científico de que precisaríamos ultrapassam em muito qualquer testemunha individual." (pág. 123).

George Steiner coloca-se na esteira de Sócrates que defendia "uma vida interrogativa, logo justa" (pág. 33) e para quem o verdadeiro ensino se faz por meio do exemplo não chegando, porém, ao ponto do desdém pela academia manifestado por Goethe: "Aquele que sabe, faz. Aquele que não sabe, ensina." (pág. 63). Além do mais, o exemplo parece ser algo do passado: "A admiração, para evitar falar de reverência, passou de moda. Somos viciados na inveja, na difamação, no rebaixamento." (pág. 147).

Steiner lembra-nos ainda que só os génios nos obrigam ao regresso repetido aos seus textos. As estruturas abertas, "no sentido em que possibilitam uma multiplicidade inesgotável de interpretações, mantêm o espírito humano em desequilíbrio." (pág. 37). Assim, mais do que afiançar o sim ou o não, ensinar deve estimular os porquês, com todos os perigos inerentes a tal atitude: "O grande ensino é aquele que desperta dúvidas, que encoraja a dissidência, que prepara o aluno para a partida («Agora deixa-me», ordena Zaratustra). No final, um verdadeiro Mestre deve estar só." (pág. 88). E o discípulo autêntico acabará por rejeitar o Mestre (pág. 99).

Na interacção entre Mestre e discípulo, cada vez mais, é o discípulo quem faz o Mestre e não o contrário, até porque ninguém ensina quem não quer aprender. Só aprende quem quer e só ensina quem pode. Quem aprende ajuda, decisivamente, quem ensina. De resto, na língua francesa, ensinar e aprender são, desde o século XII, sinónimos. O verbo apprendre que já era aprender torna-se, também, ensinar: apprendre quelque chose, mas também apprendre à quelqu'un. Ensinar e aprender são as duas faces de uma mesma moeda que tem servido, século após século, para pagar o tributo aos Deuses da Criação.

No entanto, se ensinar pode ser gratificante, mais importante é aprender. Sem aprendizagem a humanidade já teria desaparecido há muito. Não querendo ser mais céptico do que se manifesta o próprio Steiner, no final do livro, não deixo de me interrogar se não haverá o risco de que as tecnologias nos induzam a ideia de que não é preciso aprender. Que todo o ensino está garantido e disponível e é um dado adquirido para sempre.

Colaboração de Vítor Soares

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Bocas

"O primeiro-ministro tem o seu estilo e...Não faço ideia. Sei o que se faz noutros países, mas acho que as coisas em Portugal estão um pouco invertidas, nem é subvertidas"

Declarações de Manuela Moura Guedes ao jornal Público, de 09/05/2008, em resposta à pergunta sobre se José Sócrates aceitaria um convite para ir ao seu Jornal.