sábado, 9 de janeiro de 2010

O "bluff" das indústrias culturais

Como quaisquer outras, as indústrias ligadas à cultura, para serem sustentáveis, precisam de ter rendibilidade e de ser trabalhadas de um ponto de vista promocional. O que acaba por criar um efeito perverso na aferição qualitativa dos bens culturais. Ao serem disponibilizados para um consumo generalizado, os produtos culturais tornam-se numa indistinta amálgama que cai no imenso caldeirão do mercado. E, a partir daí, o sabor tende, muitas vezes, a ser definido pelo nível do marketing associado ao produto e não pela maior ou menor relevância artística do bem cultural.

(Ficha de leitura útil para avaliar filmes, concertos, exposições, etc.)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A parasitação da rádio face à televisão… e aos jornais

Começou por ser feito, muitas vezes, à socapa e só em última instância. Quando a rádio não dispunha de um registo sonoro de determinado assunto, por não ter estado presente no local do acontecimento, “picava-se” da televisão. Mesmo assim, mandava a boa norma atribuirem-se os créditos à fonte original que transmitira o registo sonoro.

Hoje em dia, impera a lei da selva. Umas vezes atribuem-se os créditos, outras vezes não, o que acaba por iludir quem ouve sobre a original proveniência dos registos sonoros. Ademais, a concentração que originou, em algumas situações, a mesma tutela empresarial sobre rádios, televisões e jornais, acaba por servir de manto diáfano para o aligeiramento das normas éticas – se a rádio é do mesmo grupo da televisão para quê estar a atribuir os respectivos créditos? Só que, mais grave, parasitam-se muitas vezes orgãos de comunicação que estão fora do respectivo grupo, o que origina uma confusão generalizada para aqueles que se preocupam em percepcionar os legítimos créditos de cada rádio e de cada televisão.

Com o à vontade de quem parece defender o vale-tudo em termos deontológicos, ouvem-se, hoje em dia na rádio, registos sonoros de outrém como se fossem próprios ou relatos de futebol feitos no estúdio sem a menção de que a narração é realizada a partir das imagens televisivas e não no local do acontecimento.

A mais recente “moda” é o convite sistemático (e o mais das vezes não remunerado, segundo presumo) a jornalistas da imprensa para preencherem os espaços de comentário radiofónico numa assunção clara de que a rádio dificilmente gera, por si só, receitas suficientes que lhe permitam uma efectiva autonomia informativa.

Perante este quadro, não é dificil de concluir que a rádio se põe a jeito para aspirar à sua própria irrelevância, como sugeria o artigo de ECT, relativamente à programação radiofónica, e contra o qual alguns se escandalizaram aqui, aqui ou aqui.

No que concerne à informação, como se demonstrou acima, a situação não é melhor. Embora esteja ciente de que toda a comunicação é, em certa medida, uma representação, no caso do jornalismo radiofónico há regras éticas e deontológicas que sobrelevam os princípios do teatro!…

Colaboração de Vítor Soares

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

António Sérgio (1950-2009)

Toda a verdade histórica reposta aqui.

Colaboração de Vítor Soares

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A palavra não é tudo

A palavra chegou ao centro da vida pública, e também da vida privada, por via do valor absoluto associado à liberdade de expressão. Qualquer outro tipo de comunicação não verbalizada é sempre colocada uns furos abaixo e é menos valorizada. Porque a palavra seria menos manipulatória, porque esclareceria sempre mais, porque seria a forma suprema de chegar à verdade. E, no entanto, nada disto parece colar com a realidade quotidiana.

O uso e abuso da palavra desvalorizou-a, banalizou-a, prostituiu-a, com a agravante de que somos cada vez mais incapazes de descodificar correctamente sentimentos, gestos, atitudes, ou qualquer outro tipo de expressão não verbal, por falta de treino na matéria. A palavra impôs-se como a comunicação politicamente correcta, mesmo que signifique pouco ou nada. Há que dizer sempre alguma coisa mesmo que seja uma qualquer tanga, uma qualquer banalidade, cheia de vácuo e que não resiste à análise de uma recepção mais atenta. Seguindo o pensamento de Philippe Breton, atrevo-me a proclamar que a liberdade de expressão fica coxa sem uma complementar e efectiva liberdade de recepção.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Nas quatro estações

No outono preparo a primavera
no verão o outono
e no inverno espero
a ausência dos dias que tiveram
no outono a raiz Na
primavera quando
o ar cortado pelas folhas corre
no sangue desde os fins
de janeiro
a água do sol move-me
até ao mar inteiro

Gastão Cruz (n. 1941)
Crateras
Assírio e Alvim

Colaboração de Vítor Soares

sábado, 3 de outubro de 2009

Viver da invisibilidade

Hoje em dia, o que está a dar é viver da visibilidade. Quanto mais visível, mais se ganha. Mas, acredito, dentro de algum tempo, a saturação será tal que vai ser possível passar a viver da invisibilidade.